Our social:

Latest Post

29 de julho de 2016

Cantadas

Levamos o Aquarismo muito à serio, mas temos nossos momentos de loucura e diversão. Resumo de uma madrugada no grupo do WhatsApp, onde nossos aquaristas tiraram do fundo do coração suas cantadas de pedreiros !!!










28 de julho de 2016

Ciclagem



A CICLAGEM

A ciclagem nada mais é do que a colonização de bactérias nitrificantes benéficas que são responsáveis pela transformação da amônia e nitritos presentes na água. Para maiores informações sobre a amônia, nitrito e outros componentes leia Nitrogênio, Bactérias e Ciclagem.

Imagine que um aquário recém montado não possui colônia de bactérias nitrificantes, portanto, qualquer nível de amônia, seja gerada por restos de alimentos, ou fezes dos peixes, poderá ter um impacto muito maior ao equilíbrio do meio.

A CICLAGEM COM PEIXES

Muitos aquarístas, mesmo nos dias de hoje, utilizam um método de ciclagem chamado de "ciclagem com peixes", que nada mais é do que realizar esta etapa inicial da criação de colônias de bactérias através dos excrementos liberados pelos próprios peixes, chamados muitas vezes de “peixes cicladores”. Mas como funciona isso?

Ao serem introduzidos em um ambiente novo, os peixes irão lançar uma carga orgânica na água do aquário, restos de alimentos etc, forçando a criação das colônias de bactérias, seja nos filtros ou no substrato ou decorações. Porém, durante todo o processo, os peixes estarão diante de uma situação extremamente incômoda e perigosa, devido ao alto teor de amônia e nitrito que estarão presentes na água, capaz de intoxicar seu sistema respiratório, levando-os à morte rapidamente. Até que a ciclagem esteja finalizada, é correto dizer que os peixes estarão sofrendo nesse ambiente, mesmo que, aparentemente, estejam ativos e se alimentando adequadamente. Por isso é comum a utilização de peixes mais resistentes e baratos, como é o caso dos platis, espadas ou molinésias, como “peixes cicladores”. Este processo de "sofrimento" costuma durar cerca de 30 a 40 dias.

  
A CICLAGEM SEM PEIXES

Trata-se de um processo de ciclagem que seria o "politicamente correto", e amplamente utilizado por aquarístas de todo o mundo, conhecido como "ciclagem sem peixes". Neste processo, o incentivo à produção de amônia é fundamental, antes da inserção da fauna pretendida. É este tipo de ciclagem que será abordada neste artigo.

"Se eu deixar o aquário funcionando durante 30 dias sem fauna, ele estará ciclado?"

Essa pergunta é muito comum, já que a média de tempo utilizado para a ciclagem é algo aproximado a 30 dias. Contudo, deve-se levar em consideração as etapas do ciclo nitrificante (amônia -> nitrito -> nitrato) para que se tenha certeza de que a ciclagem foi concluída.


 Nós do Aquarismo Iniciante não incentivamos esse processo de ciclagem com os peixes, pois se torna um procedimento altamente sofredor para eles .



Amoníaco

1° etapa: Produção da amônia (NH3/NH4)

Primeiramente deve-se incentivar a criação de amônia no aquário, e somente quando há amônia em quantidade significativa é que esta primeira etapa do ciclo se inicia. Caso o aquarista simplesmente deixe o aquário funcionando sem adição de alguma fonte de amônia, esta etapa poderá ser muito lenta já que a única fonte de amônia é a que vem da água utilizada, e a decomposição da matéria orgânica presente no cascalho, mesmo após sua lavagem. Por isso é comum vermos aquaristas dizendo que montaram o aquário há 20 dias e tanto os valores de amônia quanto de nitrito se mantém em 0 ppm.

2° etapa: Transformação da amônia (NH3) em nitrito (NO2)

Com as colônias de bactérias que consomem amônia já em número significativo, será necessário manter essas colônias vivas, utilizando-se de uma boa oxigenação (que é conseguida com o próprio uso do filtro do aquário) e aplicações periódicas de fontes de amônia. Com isso irão surgir as primeiras bactérias que consomem o nitrito (NO2), produto final do consumo da amônia pelas bactérias iniciais.

3° etapa: Transformação do nitrito (NO2) em nitrato (NO3)

Finalmente as colônias de bactérias estarão bem populadas para consumir a amônia (NH3/NH4) que será transformada em nitrito (NO2) em quantidade significativa, para ser consumido e transformado em nitrato (NO3); uma substância não tão tóxica aos peixes, e uma boa fonte de nitrogênio para as plantas (e algas!).

Passo-a-passo da ciclagem sem peixes

Material a ser utilizado no processo: Amoníaco puro (vendido em farmácias), conta-gotas e testes de amônia e nitrito (encontrados em lojas de aquarismo).

Obs: Existem outras formas de produzir amônia no aquário além do uso de amoníaco, como é o caso da adição de ração para peixes, restos de plantas mortas, etc, mas existem dois inconvenientes nestes casos, que é a sujeira que irá se formar no substrato, e a demora para que a amônia seja gerada, já que adicionando amoníaco estamos adicionando o material final. Adicionando ração, esta ainda deverá passar pelo processo de degeneração até que se transforme em amônia.

Passo 0: Encher o aquário de água sem cloro, contabilizando o total de litros reais (descontando-se substrato, decorações e outros fatores). Deixar os filtros em funcionamento em regime 24x7 (sempre ativos).

Passo 1: Adicionar 1/2 gota de amoníaco por litro de água do aquário (ex: 35 gotas para um aquário de 70 litros reais). Faça um teste de amônia após 15 minutos, que deve marcar de 2,5 a 5 ppm de amônia. Caso não tenha atingido esta marca, aplique mais uma dose de amoníaco e refaça o teste. Caso ultrapasse esta marca, não se preocupe, pois não há habitantes no aquário. Por esse motivo, o passo 1 deve ser realizado sem a fauna desejada, apesar do aquário estar todo já montado, com plantas e decorações inclusive.

Passo 2: Dois dias após ter realizado o passo 1, faça um teste de amônia e nitrito. A amônia possivelmente ainda estará na mesma marca que no passo anterior, e o nitrito estará em 0 ppm.

Passo 3: De dois em dois dias deve-se fazer um teste de amônia para verificar se a mesma está diminuindo. Sempre que ela atingir valores inferiores a 2,0 ppm, deve-se acrescentar a metade de gotas de amoníaco utilizado inicialmente (ex: para um aquário de 70 litros reais, aplicar cerca de 17 gotas). Isso quer dizer que a primeira etapa da ciclagem já está bem avançada.

Passo 4: Aproximadamente 5 dias após verificar que a amônia está diminuinfo, deve-se fazer um teste de nitrito, que provavelmente estará batendo um pico de + ou – 2,0 ppm. Isso quer dizer que a primeira etapa da ciclagem chegou ao fim, e a segunda já se iniciou.

Passo 5: Deve-se verificar a amônia e o nitrito a cada 2 dias, sempre adicionando porções pequenas de amoníaco na água do aquário, para manter o "alimento" das bactérias. Assim que os valores do teste de nitrito estiverem diminuindo, significa que a etapa 2 chegou ao fim, e a etapa final já está em andamento.

Passo 6: Ter paciência. Dentro de pouco menos de 15 dias os valores de nitrito estarão em 0 ppm novamente. Desta forma deve-se realizar uma TPA (Troca Parcial de Água) de 50% e introduzir a quantidade inicial de amoníaco (ex: 35 gotas para um aquário de 70 litros reais), e esta amônia introduzida deve chegar a 0 ppm em até 24 horas. Se isso ocorrer a ciclagem chegou ao fim, e os primeiros peixes podem ser introduzidos. Caso contrário, deve-se aguardar mais alguns dias até que toda a colônia de bactérias esteja populada.






FATORES QUE PODEM ACELERAR O PROCESSO DE CICLAGEM

Aceleradores de Biologia Produtos para ciclagem

Há no mercado diversos produtos que ajudam na criação das colônias de bactérias durante a ciclagem. Muitos aquarístas já notaram realmente uma evolução nas etapas devido ao uso destes produtos, mas é bom acompanhar os resultados com testes antes de dar a ciclagem como concluída. Deve-se seguir o processo todo, passo a passo, até que os testes estejam de acordo com o esperado.

 
Utilização de matéria ciclada

Existem outras técnicas utilizadas para acelerar a biologia nos aquários novos. Uma delas é a utilização de mídias biológicas (anéis de cerâmicas, placas ou esponjas) de um aquário que já estava ciclado. Outra forma também é a utilização da água de aquários cujo ciclo do nitrogênio (ciclagem) já foi concluído. Vale ressaltar aqui também que somente estas técnicas não farão com que a ciclagem já esteja concluída. Deve-se observar todos os passos do processo até que os níveis de nitrito e amônia estejam zerados.

Temperatura

Quanto maior a temperatura mais rápida será a ciclagem, portanto é indicado manter entre 29oC e 30oC, inicialmente. Vale lembrar que a oxigenação é um fator necessário, e deve ter uma atenção dedicada, já que as bactérias que queremos são aeróbicas e necessitam de boa quantidade de oxigênio dissolvido. Isso é importante porque quanto maior a temperatura, menor é a quantidade de oxigênio disponível.

TPAs (Trocas Parciais de Água)

Não é indicado realizar TPAs durante o processo, pois devido à renovação da água, muitas bactérias podem ser perdidas. Diz-se que TPAs retardam o processo, mas ainda assim podem ser feitas caso haja necessidade.


"Um agradecimento especial aos desenvolvedores do texto, Cristiano Chs e Denis Cetera, do Grupo Kinguios Passion"

Calcular o substato



Para calcular a quantidade de substrato no aquário!

( C x L x A x D) /1000 = (quantidade em Kg)

Onde temos:

C = comprimento do aquário
L = largura do aquário
A = altura desejada do material
D = densidade do material a ser utilizado
se não souber corretamente use o valor de 1,5 que é algo que vai te lavar a resultados bem aproximados do que se quer

Exemplo:

Medidas do meu aquário (C 100 x L 40 x A 50)/1000 igual a 200Litros
Quero 4 cm de substrato quanto devo usar?

ü  Aplicando a formula: (100 x 40 x 4 x 1,5)/1000 = 24 Kg

Mas se eu quiser fazer um ângulo? tipo 4 cm na frente e 6 no fundo?
Como já temos o calculo do volume para 4 cm Basta calcular o triangulo que faltou!

Formula para o decaimento:
((C x L x A x D)/1000)/2 = quantidade em Kg

Aplicando a formula:
((100 x 40 x 2 x 1,5)/1000)/2 = 6 Kg

A quantidade de substrato necessário para formar 4 cm de altura na frente e 6 na parte de trás vai dar aproximadamente 24 + 6 = 30 Kg




Bactérias no Aquário

Ciclo do Nitrogênio - Bactérias no aquário

Bactérias? No aquário? Mas isso não é perigoso?
Perigoso seria a ausência delas. É incrível, mas estes seres geralmente mal vistos por nós, pois os associamos com agentes patológicos, são os grandes responsáveis por um aquário estabilizado e cheio de vida. Todos os dejetos dos peixes e restos de comida, ou qualquer outro material orgânico que se decompõem no aquário geram amônia, um composto tóxico, letal aos peixes. Mas existe na natureza seres que aproveitam a amônia como fonte de energia: as tão temíveis bactérias. Através de oxidação, elas transformam a amônia em nitrito.
Entretanto, o nitrito também é tóxico. Felizmente existe outro grupo de bactérias que também utilizam o nitrito como fonte de energia. A oxidação do nitrito gera nitrato, um composto bem menos prejudicial, sendo perigoso aos peixes apenas em altas concentrações. Mas elevado nível de nitrato na água pode gerar surto de algas, algo nada desejável para nossos aquários. O nitrato também é consumido por bactérias anaeróbicas, bactérias que existem na ausência de oxigênio, e transformado em nitrogênio livre, gás nitrogênio. Só que este é um processo demorado, de modo que se não efetuarmos Trocas Parciais de Água (TPA’s) estes se acumularão e poderão trazer desequilíbrio ao sistema.
As trocas parciais podem ser efetuadas semanalmente, trocando-se cerca de 20 a 30% da água do aquário e inserindo água nova, tratada, sem cloro e metais pesados e com os parâmetros o mais próximo possível da água do aquário.
Para isto, existem produtos específicos no mercado.

*Bactérias responsáveis pela transformação da Amônia em nitrito – Nitrossomonas*

*Bactérias responsáveis pela transformação do nitrito em nitrato – Nitrobacters*

Sem estas bactérias no aquário, o ambiente não é adequado para receber peixes.
Por isso, precisamos antes preparar o aquário para receber seus habitantes. Como se faz isso?
Devemos montar todo o aquário e deixar todos os equipamentos funcionando, como se este já estivesse pronto para receber os seus inquilinos. Visto que as bactérias necessitam de amônia para sobreviver, temos também de providenciar uma fonte de amônia para as mesmas, que servirá de alimento para estas. A um tempo atrás, e ainda hoje é comum, eram utilizados peixes resistentes, ditos cicladores, para produzirem amônia dentro do aquário para haver a formação das colônias de bactérias. Porém, esta é uma prática que estressa e debilita demais os peixes, pois o ambiente sofre picos de amônia que são extremamente prejudiciais. Uma prática que vem sendo bastante difundida é a Ciclagem sem peixes. Consiste em adicionar Amoníaco na água de tempos em tempos e monitorar os picos de amônia e nitrito para saber quando as colônias de bactérias já estão instaladas no aquário e prontas para suportar a carga de dejetos produzidos pelos peixes.
O ambiente estará ciclado, ou seja, com número de bactéria suficiente, quando a amônia e nitrito caírem a Zero. Mas, os peixes devem ser adicionados aos poucos para o sistema se acostumar com a carga orgânica inicial. Todo esse processo costuma demorar entre 25 a 40 dias. O uso de aceleradores de biologia também é viável.

Assim, estaremos começando no aquarismo com o pé direito e o futuro do nosso aquário é o sucesso!!!


Kinguios


Carassius auratus auratus

(Kinguio)



Carassius auratus auratus, conhecido pelos nomes comuns de peixe-japonês, peixinho-dourado, Kinguio no Brasil, do japonês Kingyo ou ainda mundialmente Goldfish.
Um aquário ideal para se começar esse belo hobby é de 200 Litros onde pode-se abrigar até 4 Kinguios.
A filtragem ideal pra kingios é de cerca de 10X o volume do aquário por hora. Num aquário típico de 200 litros um canister de 2200L/h da conta muito bem do recado. Há hobbistas que criam soluções mistas como por exemplo num mesmo aquário um canister de 1200L/H e um filtro hang-on ou interno de 800L/H, apesar de funcionar não recomendo muito, daram muito mais trabalho. Um sump é muito econômico e pratico a longo prazo. Também acho que não preciso justificar que não recomendo o obsoleto FBF (filtro biológico de fundo).
Qual é o PH recomendados para kinguios? Gente isso é polêmico. Posso adiantar a princípio que os Kinguios possuem uma incrível adaptabilidade e com muitas justificativas posso recomendar que sejam criados na faixa de 6.6 a 6.8 ou 6.5 a 6.7. Esse tema merece um artigo todo especial, mais à frente.
Sobre a Ciclagem inicial o hobbista deve-se preparar para iniciar uma ciclagem, sem peixes que estarei explicando detalhadamente em outro artigo.
Sobre temperatura outro assunto muito polêmico, mas posso adiantar que sim eles merecem um bom termostato, logo porque a função deste não é aquecer, o objetivo de um termostato é manter a temperatura estável. Portanto dependendo do clima do seu criador local ele podem ter muitas dificuldades para aclimatar (existe a fase da adaptação e aclimatação) no seu aquário, no geral pode-se adotar 27 graus e ser feliz, contudo pra regiões mais frias, já que nosso pais é continental, pode-se adotar 23 graus e mantê-los bem saudáveis.
Sobre iluminação de Kinguios é bem simples não precisa exagerar, eles não gostam de muita luz, use o bom senso. Tipicamente um aquário de 200Litros pode-se usar uma lâmpada T5 de 14We ficará muito bem. Se for usar a moderníssima fita de Led pode-se com certeza, mais uma vez como praticamente tudo em aquarofilía o hobbista deve fazer bom uso do BOM SENSO.
Sobre oxigenação kinguios são muito exigentes como quando mais quente for a agua menos oxigênio dissolvido teremos é obrigatório uma oxigenação extra, pode-se usar uma bomba submersa que tenha a capacidade de captar ar exterior e forçar a injeção pela agua ou o boa e velha pedra porosa ou mangueira de cortina de ar que neste caso exigem um compressor de ar.
Enfeites de aquário grandes e com pontas não são aconselháveis para aquários com kinguios, pois os kinguios são péssimos nadadores, bastante destrambelhados e vão com facilidade se machucar com eles, os Kinguios Telescópios e bolhas são muito sensíveis. Todas as variações de kinguios devem ter bastante espaço para poderem nadar livremente.
O substrato deve ter granulometria entre 1mm e 3mm, geralmente #0 ou #1 pois além de poderem se engasgar com cerca facilidade com essa granulometria favorece a formação do filme biológico que é ultra-importante em um aquário com kinguios.
Para encerrar essa matéria introdutória, recomendo sempre o kit básico de testes químicos para sabermos os paramentos da agua, que nos permitirá agir preventivamente, evitando doenças e mortes desnecessárias.
São eles: PH, AMONIA E NITRITO !
Todos os assuntos aqui foram descritos apenas com introdução geral para servir de norte para o iniciante em criação de Kinguios, nos demais artigos explicarei detalhes muito ricos sobre: Ciclo do Nitrogênio, Filtragem, parâmetros químicos da água, decoração, iluminação, substrato, oxigenação, alimentação e até mesmo reprodução e construção de aquários. Tudo voltado especialmente para os nossos gordinhos!

 Texto elaborado por CristianoChs (Grupo Kinguios Passion)


27 de julho de 2016

Sal Grosso

A Utilização de Sal em Aquários de Água Doce

  Escrito por Katsuzo Koike



A utilidade do Cloreto de Sódio nos aquários de água doce tem dividido a classe dos aquaristas profissionais, enquanto tem confundido a maioria dos criadores caseiros e de primeira viagem. A literatura especializada em livros, sites e fóruns de aquarismo tem se esforçado em esclarecer muitos pontos objetivos sobre a questão do sal, ao mesmo tempo que tem propagado muitas lendas e mitos sobre o assunto, gerando muitos equívocos. A criação de várias espécies de peixes durante décadas, e o confronto de informações sobre o uso de sal marinho com a própria experiência aquarística nos possibilitam deixar aqui algumas contribuições sobre essa controversa temática.

Na natureza, os peixes e outros animais aquáticos evoluíram e passaram a viver em meios salinos, salobros e doces. A média de salinidade dos oceanos é 35g\L de sal, ou seja, a água do mar é uma solução de 3,5% de sal. Porém, em boa parte do litoral brasileiro, a salinidade da superfície do mar possui 37g\L de sal. A salinidade das águas salobras ou de estuário varia entre 0,5 a 30g\L, e a água chamada de doce possui salinidade próxima de zero (água de rios, riachos, fontes, poços, da chuva e das geleiras). Assim, a água salgada tornou-se tóxica para a maioria dos peixes de água doce, e vice-versa, embora haja peixes de hábitos migratórios que variam seu meio, vivendo ora em água doce, ora em salobra ou salgada (ex: salmões, tainhas, robalos, góbios entre outros). Os criadores de aquários salobros normalmente utilizam salinidades entre 12 e 18g\L.

As várias espécies de peixes de água doce que criamos em nossos aquários podem passar toda a vida sem a mais leve sensação ou necessidade de “água salgada”. Falamos aqui do sal marinho comum, NaCl, e não dos diversos sais que existem em qualquer água de rio ou lago. Pelo menos, é bom saber que a maioria dos peixes de água doce consegue tolerar salinidades até 10g\L, por poucos dias, embora isso não seja necessário ocorrer. 

O que se diz, normalmente, é que o sal comum é útil ao aquarismo, sobretudo para a cura de doenças (como íctio, costia, doença do algodão, etc), servindo de “antibiótico natural”, e para amenizar o estresse dos peixes. A verdade aqui é que o sal pode mesmo diminuir os efeitos dos nitritos da água, tóxico aos peixes, mas quanto à cura de doenças, há muita discussão. Muitos defendem que o sal proporciona outros benefícios quando adicionado aos aquários:

+ Ajuda a regular as trocas osmóticas dos peixes, estabilizando sua pressão interna de acordo com a externa; isso traz relaxamento aos peixes, ao melhorar sua circulação interna; 

+ Diminui o estresse dos peixes após longas viagens, ou por alto nível de nitrito na água;

+ Pode ajudar a sarar ferimentos nos peixes, e protege a escama de muitas espécies; 

+ Fornece cores vivas nos peixes;

+ Previne o surgimento de fungos e doenças (parasitas e bactérias) na água; o sal limpa as brânquias dos peixes de certos parasitas e vermes;

+ O sal previne e neutraliza a má biologia dos substratos (vermes e bactérias);

+ Serve para higienizar e limpar (tratar) troncos e objetos do aquário; realmente, o sal é um dos maiores esterilizadores de biologia conhecidos. Em contato com grande quantidade de NaCl, nenhum ser resiste.

Depois de tantas boas qualidades, há quem ache o sal um santo remédio para quase todos os males do aquarismo. Na realidade, falta muita comprovação científica sobre alguns desses benefícios. Mas uma coisa é segura: o mau uso de sal em tanques de água doce traz problemas tão graves quanto os que ele pretende resolver. Em geral, criadores descuidados e imprudentes passam a usar sal em seus aquários segundo vontade própria, sem critérios sérios. Os efeitos trágicos dessa prática logo aparecem, trazendo muitas perdas e angústia ao criador. Podemos destacar três erros crassos dos que fazem uso do NaCl em seus tanques:

- Usar sal em quantidades inapropriadas para a litragem de seu tanque, e em tempo contínuo, termina por agredir a biologia geral do sistema (pode matar as colônias de bactéria, plantas, peixes e moluscos);

- Não investigar sobre a tolerância de sal das espécies que cria; isso faz muitas espécies sofrerem e morrerem, pelo uso descontrolado de sal; 

- Querer resolver todos os males dos peixes e do aquário com sal de cozinha; O criador desavisado acha que deve colocar sal de mesa nos aquários, um equívoco, pois este tipo de sal contém iodo (tóxico aos peixes), cálcio ou potássio, além de outros químicos, que podem desestabilizar os parâmetros da água do aquário e prejudicar os peixes. O sal a utilizar deve ser o marinho puro, usado para aquários marinhos (na falta deste, o sal grosso ou em pedra, também pode ser usado);

O conselho mais sensato que podemos dar aqui, é que muitos peixes de água doce, se tiverem uma boa filtragem de água, controle dos nitritos e amônia, além de comida boa e regular, na medida correta, podem nunca precisar receber sal na sua água. O uso de sal deve ocorrer em momentos específicos, por tempo limitado, e na quantidade correta.

Claro, há peixes que até gostam (e vivem naturalmente) em água salobras, que devem receber sal permanentemente na água, das trocas, sobretudo. São os peixes ditos salobros ou brackish, que vivem melhor em ambientes estuarinos e mesmo salinos, mas que encontramos vendidos como espécies de água doce: os Góbios (como o Dorminhoco), os Poecilídeos (Molinésias, Espadas, Platis, Barrigudinhos, Guarús, Guppies ou Lebistes, Jordanelas), os Baiacus, os Gatos Colombiano e Jordani, os Monodactilos, os Rangas, Mexiricas, Toxotes e Datnioides, para falarmos nos principais.

O restante dos peixes de aquário de água doce não vai tolerar altos níveis de NaCl na água (mais de 10g\L), a exemplo dos peixes de couro (sentem ardor e irritação na pele), de casca e muitos de escamas: os tetras em geral (como Neon, Mato-Grossos, do Congo, Pinguins, Hasemanias, Rodóstomus, etc), os Cascudos, Coridoras, Jundiás, Jacundás, Traíras, Gatos de Rio, Bótias, Lábeos, Otos, Comedores de Algas, Rásboras, Barbos em geral, Discos, Acarás Bandeira, Danios, Piranhas, Pacus, Ciclídeos em geral, entre outros, não toleram sal na água, pelo menos em níveis de água salobra ou acima disso, por muito tempo, continuadamente. Peixes de águas doce e mole, como Neons, sofrerão com aumento de salinidade: seu metabolismo será afetado, os rins serão sobrecarregados, os peixes gastarão mais energia para viver nesse meio, e assim, viverão menos. Já peixes como Bettas, Tricogasters, Carpas e Kinguios se mostram mais resistentes ao Cloreto de Sódio, durante tratamentos, mas dependendo do grau e tipo da doença, o sal sozinho não os salva da morte. Por exemplo, um Betta pode resistir cerca quatro dias em águas de salinidade 11,88 g\L, mas pode tolerar bem, e por mais tempo, meios aquáticos com 6-7g\L de sal.



No caso dos Poecilídeos, o sal pode ser um santo remédio contra doenças e água com nitritos. Nesta família (em seus dois gêneros principais, o Poecilia, com Guppies e Molinésias, e o Xiphophorus, com os Espadas e Platis), muita gente acha que apenas as Molinésias seriam peixes tolerantes ao sal. Essa vasta família de peixes vive desde regiões costeiras, em meio marinho, até estuários, lagunas, e mais para o interior, em rios, fontes e lagos, totalmente de água doce (nos EUA, México, Caribe e América do Sul, principalmente). Os detalhes que muitos desconhecem são que os poecilídeos resistem pouco ao nitrito, quando criados em água totalmente doce, e que devem ingressar nos aquários quando estes forem já maduros, com largo tempo de montados, para evitar intoxicação. Claro que se eles estiverem em água doce, morreriam se fossem lançados em água salgada, mas um pouco de sal na água dos poecilídeos os deixará mais à vontade, evitando bastante que adoeçam por causa da qualidade da água (uma colher de sopa = 16g de sal para cada 10L já é o suficiente para eles viverem melhor). Os criadores de espécies de Ciclídeos, como os do lago Malawi ou Tanganyica precisam adicionar sais na sua água, mas não confundir com NaCl. Na África, se os ciclídeos aprenderam a viver longe do mar e do sal, por que colocá-los nesse meio? Também é bom lembrar que os alevinos dessas espécies citadas vão tolerar bem menos sal na água. 

De fato, o uso de sal deve ser bem restrito, de acordo com a situação e as espécies em questão. O tratamento pode ser feito no aquário principal, ou em recipientes menores, com maior quantidade de sal, em banhos curtos (imersões em solução de 2% de sal), de 10 a 20 minutos, ou até 1 hora (sob vigilância do criador, nesse tempo). Qualquer anormalidade, do peixe passar mal no meio salino, deverá ser retirado logo e devolvido ao seu tanque normal. Os banhos devem ocorrer uma vez ao dia, por três dias seguidos. Caso não haja qualquer melhora, melhor parar com esse tratamento e buscar outro. Se houver melhora, pode ser continuado por mais 2 ou 3 dias (5-6 no total). Lembre apenas, que de nada adiantará esse tratamento se a água do aquário principal estiver degradada, ou com bactérias e parasitas.

Parece que as escamas dos peixes os protegem contra os efeitos de aumento de salinidade da água, enquanto outras espécies de couro parecem sofrer mais, se condicionados na mesma salinidade.

Para quem quer tratar um pequeno aquário com problemas de doenças, pode usar a medida prática de uma colher de sopa de sal para cada 5L de água do tanque, por uns 3 ou 4 dias, o que não fará muito efeito negativo nos peixes (em seguida, parar de colocar o sal e ir fazendo TPAs de 20% por vez, a cada 5-6 dias, com boa água descansada). Uma alta de nitrito pode ser amenizada, segundo alguns especialistas, com uma colher de sopa cheia de sal grosso marinho para cada 200L ou até 300L de água, aproximadamente. O sal não deve ser lançado sólido no aquário, mas dissolvido antes em uma porção da própria água do aquário, que depois é colocada nele, aos poucos.

Uso incorreto de sal em aquários pode prejudicar muitos peixes.

Cuidado, pois o sal não evapora, mas se acumula no tanque, e nem pode ser filtrado pelos filtros comuns. Só sai com as TPAs, por isso, evite adicionar sal toda semana ou em todas as trocas. E ele é também fator de variação de oxigénio na água: quanto mais sal e maior temperatura, menos oxigênio dissolvido haverá na água (por exemplo, um aquário com temperatura de 28oC e salinidade de 10g\L, terá 7,38 mg\L de oxigênio. Os peixes começam a estressar com falta de oxigênio com 4mg\L desse elemento dissolvido na água, chegando a níveis críticos de falta de ar com 2mg\L ou menos).

Pelo menos, o sal não altera o pH da água, nem mexe praticamente com a sua dureza, se for puro. Há controvérsias sobre isso, nas fontes. Alguns criadores afirmam que sobem o pH dos aquários adicionando sal marinho neles. O que se tem notado é que NaCl puro tem pH neutro, e em pequenas concentrações no aquário praticamente não afetará sua acidez.

Se seus peixes não são salobros, como Poecilídeos ou Puffers (Baiacús), prefira tratar suas doenças com remédios, pois é sem dúvida mais seguro. Se você tem um aquário comunitário de várias espécies, pense bem antes de usar sal em caso de doenças ou água degradada. O melhor é separar o peixe doente, e em um aquário hospital, recorrer ao sal não combinado com medicamentos (que podem ser usados após esse tratamento). Veja se é necessário deixar o peixe lá ou esperar alguns minutos e retorná-lo ao aquário principal. Quanto à água ruim, faça TPAs de 20% a cada 5 dias, com água descansada da torneira, e reveja a quantidade de alimentação que tem dado aos seus peixes.

Por fim, os radicalismos não são úteis para os aquários. O sal não pode ser a solução para tudo, mas também não deve ser banido do aquarismo, já que não se pode negar seus benefícios para os aquários e para nossos peixes. Devemos fazer uso dele apenas quando necessário, ou melhor, quando possível.

19 de julho de 2016

Bem vindo!