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2 de agosto de 2016

Como montar o aquário



Vai montar um aquário? Sabe os procedimentos e passo a passo? Siga algumas dicas do Aq.I nessa nova fase !!!

1) O que temos que levar em consideração antes de iniciar a montagem?
Quando somos inexperientes, o erro que mais cometemos é de colocar mais peixes em nosso aquário do que ele tem condições de suportar. Quando estamos na loja e vemos aquela variedade de peixinhos lindos queremos todos e é quase impossível um iniciante não fazer isso mesmo... Alguns lojistas se preocupam e nos avisam, porém a grande maioria só quer vender e nos diz que "tudo cabe, tudo dá, e tudo ficará bem"... No entanto...descobrimos mais tarde o grande engano...
Sendo assim, quanto maior o volume/espaço do aquário, tanto melhor para nossos amigos aquáticos. 
Peixes, assim como eu e você, necessitam ingerir alimentos para obter as energias necessárias para a manutenção de seus processos vitais. Por mais eficientes que sejam a digestão e assimilação dos nutrientes contidos no alimento, sempre haverá ponderável volume de resíduos que deverão ser excretados. Tais dejetos se acumulam no interior do aquário, sendo submetidos a processos de degradação biológica  que ocasionam uma queda na qualidade da água e vários outros fatores que falaremos a seguir e em outros textos aqui no Blog.
Com o português correto e para um bom entendimento, os peixes urinam...defecam e exalam gás carbônico exatamente como eu e você ! E todos estes excrementos ficarão dentro do aquário prejudicando a qualidade da água até que seja a hora de fazer a limpeza.
Agora te pergunto :
Assumindo que você somente colocou meia dúzia de peixinhos de 5 cm de comprimento no aquário e que os alimenta com consciência e parcimônia, qual aquário vai estar em melhores condições decorrida uma semana da instalação: aquele de 15 litros ou aquele de 60? Um volume de água relativamente grande permite uma maior diluição dos produtos de excreção dos peixes, dando-nos tempo razoavelmente dilatado para efetuar as operações de manutenção sem prejuízos sérios para os animais. Para aquaristas iniciantes a recomendação é adquirir um aquário entre 40 e 80 litros de capacidade. Por favor, atente para o fato que muito embora quarenta litros de água seja uma quantidade muito grande para se beber, É quantidade muito pequena para se viver o resto da vida! 

2) E agora? Onde colocar o aquário?

Assim que for escolhido o local onde o aquário será instalado, o próximo passo é verificar em qual movel/suporte/mesa/etc será colocado. Após a escolha, verificar a sua resistência ( se realmente aquele local suportará o tamanho do peso que o aquário ficará.
Este local deverá estar perfeitamente nivelado, para que sejam evitados futuros acidentes, como vazamentos ou ruptura dos vidros. Normalmente temos esse problema quando o suporte foi mal dimensionado para o peso ou fora de nível. Se possível, é conveniente que a base de suporte  tenha sido construída especificamente para esta finalidade.
No Brasil, devido ao preço e facilidade de confecção, a maioria dos aquários é feita de vidro, que é um material relativamente pesado (seu constituinte principal é areia e seu peso específico é perto de 2,5 gramas por cm3, ou seja, um metro quadrado de vidro com 10 mm de espessura pesa perto de 25 Kg). 
A água pesa um quilo para cada litro (1 grama por cm3) e o cascalho (que também é areia, só que mais grossa) pesa um pouquinho mais (1,37 gramas por cm3). Claro que a quantidade de cascalho vai depender do gosto estético de cada aquarista, mas, de maneira geral, aspessoas costumam colocar uma camada com espessura variável por volta de 4 e 5 cm, o que nos dá entre 54,5 a 68,5 kg para cada m2 de área de aquário. Um aquário medindo 150 cm de comprimento por 50 cm de largura e com 60 cm de altura pesa: 78 Quilos e 750 gramas só de vidro. Seu volume interno é de 450 litros e assumindo-se uma camada de cascalho com 5 cm de espessura, somaremos mais 50 Kg só de pedrinhas o que perfaz até agora uns 560 Kg (ou um pouco mais de meia tonelada). 
Até agora não levamos em consideração o peso adicional da decoração, e mesmo sabendo que para cada objeto colocado dentro do aquário um volume correspondente de água terá que sair, o peso deste hipotético aquário poderia passar tranquilamente dos 600 Kg.
Lembrando também que aquários perto de janelas ocorre o surgimento de algas, devido a claridade, então escolha um local onde há cortinas ou que não tenha tantos raios solares.

3) Eba !!! Vamos montar..começa o frio na barriga !!!

Antes de tudo devemos verificar se temos todos os materiais necessários para o Projeto :]
- Um aquário simples, porém bem montado ( no quesito de suporte e local);
- Um sistema de filtragem ( interno, externo-hang on, canister, sump, etc) para manter a água limpa e oxigenada;
-Uma fonte de aquecimento ( aquecedor ou termostato - lembrando do termômetro para verificar sempre a temperatura ideal)
-Um eficiente sistema de iluminação, adequado ao tipo de montagem de aquário escolhida;
-E por fim os complementos (substrato, rochas, troncos e demais objetos decorativos) que apesar de não contribuir, de modo direto, para manutenção da qualidade da água tem algum valor estético e um grande efeito psicológico sobre os peixes evitando ou diminuindo boa parte do estresse ao qual os animais confinados costumam estarem sujeitos.
Antes de proceder à montagem do aquário devemos fazer uma boa limpeza em todos os componentes e acessórios. Lave bem o aquário somente com água e o auxílio de uma esponja de limpeza.Lave também o cascalho em água corrente até que esta escorra límpida. Qualquer objeto ou adorno (desde que adequado e seguro para uso em aquário) que pretenda introduzir também deverá ser bem lavado, somente em água corrente, algumas pessoas fervem os acessórios para uma limpeza mais "eficiente".  “NUNCA UTILIZE SABÃO, DETERGENTES ou OUTROS PRODUTOS PARA LIMPEZA”.

Coloque o aquário em seu suporte. Agora coloque o substrato selecionado (cascalho ou areia grossa, etc.), que servirá de substrato (ou meio de retenção para as plantas naturais ou artificiais), formando um desnível da parede traseira para a parede frontal do aquário. Esse declive auxilia no efeito estético da montagem. 

Complete a decoração, dispondo as rochas, enfeites, plantas plásticas (as plantas naturais serão mais facilmente plantadas com o aquário cheio pela metade), e o que mais desejar, dando seu toque pessoal. Instale o equipamento elétrico que funciona em contato com a água, ou seja, o filtro externo motorizado e o aquecedor, mas sem ligá-los na tomada. 

Existe outra variante desta montagem que utiliza um Filtro Biológico de Fundo (FBF) como filtro principal associado a um segundo sistema de filtragem (filtro interno ou externo) como filtragem auxiliar. Caso você opte por montar um FBF, lembre-se que este deverá ser colocado antes da introdução do cascalho (o qual será espalhado uniformemente por cima das placas do FBF em uma espessura nunca menor que 5 cm). O cascalho selecionado para esse tipo de montagem deverá ser o cascalho de granulometria média. Cascalho fino ou areia não devem ser utilizados, pois escorrem pelas frestas das placas do FBF, causando entupimento do espaço existente por debaixo das placas (plenum),  impedindo a circulação da água e consequêntemente o funcionamento do sistema. 
Muitas pessoas usam água mineral para encher e fazer as trocas de água do aquário. Isso não é necessário (e nos casos daquelas águas minerais com alto teor mineral, até perigoso). A melhor água para usar em seu aquário é aquela que se encontra mais “à mão”, ou seja, a água de torneira mesmo. Porém ela deverá ser tratada antes de ser empregada, estando isenta de cloro e com o pH e a temperatura ajustados. Para eliminar o cloro e ajustar a “química” da água de acordo com as necessidades particulares de seus peixes existem diversas marcas de condicionadores. Quando em dúvida não hesite em consultar um lojista de sua confiança.

Coloque as tampas de vidro e instale o sistema de iluminação (calha, luminária, spots, tampa de móvel, etc.). Quanto à iluminação, convém lembrar que as plantas vivas necessitam de um mínimo de 0,5 Watt de potência luminosa, por litro de água do aquário. Ou seja, se você tem um aquário de 120 litros de volume, a quantidade mínima de lâmpadas indicada é de duas lâmpadas de 30 Watts. Isso é claro, para aquários de montagem tradicional porque para os aquários plantados (tipo Nature Aquarium™, Aquário Holandês ou Jardins Aquáticos) a quantidade mínima de luz equivaleria a 1 W/Litro.

4) Pronto? Terminou ?? Ainda Não!

  Após todos os equipamentos instalados e ligados, o aquário deverá passar por um período de maturação não inferior a três dias, sendo aconselhável esperar de uma ou duas semanas ou, caso você seja uma pessoa paciente e consciente, ainda mais tempo. Isso porque mesmo que você tenha utilizado produtos recomendados para acelerar a maturação biológica de seu aquário, demanda certo tempo (variável segundo as condições de seu aquário e ao tipo de produto empregado) para que estes produtos atinjam sua mais alta eficiência. 
Durante este período, todo o equipamento instalado no aquário deverá funcionar ininterruptamente (24 horas por dia) e as lâmpadas deverão ser acesas pelo período recomendado (especialmente se você utilizar plantas naturais, ou seja, vivas), porém o aquário deverá ficar desabitado. ‍Enquanto espera que a maturação biológica de seu aquário se processe, torne um hábito verificar diariamente o funcionamento da aparelhagem instalada no aquário. Aproveite para ajustar a temperatura para a faixa requerida pelas espécies que você pretende manter. Para os peixes tropicais a temperatura não deverá ser inferior a 24 graus Celsius. No caso dos peixes de água fria (kínguios e carpas) a temperatura mais indicada fica abaixo dos 24 graus.
Vamos supor que tenham se passado duas semanas desde que você montou o seu aquário. Em teoria o processo de instalação da “biologia” (basicamente a instalação de colônias de bactérias nitrificantes nos elementos filtrantes do seu sistema de filtragem) já se encontram adiantados. Mas, como ter certeza que é seguro introduzir os peixes? É aqui que entram os testes de água. Você vai precisar de, pelo menos, um conjunto para teste de pH, um conjunto para verificar os níveis de amônia e de um “kit” para testar o nitrito da água de seu aquário. ‍\O/  Uhuuu!!!!

 Os testes dizem que está tudo certo com seu aquário (pH indicado para as espécies que você pretende introduzir, níveis de amônia e nitritos zerados, temperatura correta e estável, água cristalina). Desculpe te jogar um balde água fria, mas isso vai mudar depois que você introduzir os peixes. Porém é normal e faz parte do jogo. Por enquanto o que interessa é que podemos povoar o aquário. Mas para isso vamos nos utilizar de um procedimento denominado: ACLIMATAÇÃO. 

Para uma introdução, relativamente, pouco traumática, dos peixes ao seu novo lar siga este procedimento:

a - Deixe o saco plástico, contendo os animais, flutuando no aquário por aproximadamente 15 minutos, abrindo-o a seguir e enrolando  a boca do saco, varias vezes sobre si mesma, formando um  flutuador, de modo que o saco fique boiando na água do aquário como se fosse uma piscina flutuante. 

b - Deixe o saco flutuando com a boca aberta voltada para cima e vá despejando, em intervalos de um a dois minutos, mais ou menos, a metade de um copinho descartável (destes para café), de água do aquário no saco plástico, até dobrar o volume de água em seu interior. O processo todo demandará, perto de 30 a 40 minutos e servirá para aclimatar os peixes à água de seu novo ambiente. 

c - A seguir, retire os peixes do saco plástico, utilizando-se de uma pequena rede, e transfira-os para o aquário, descartando a água contida no saco. Os peixes recém-chegados passam por um período de adaptação, mais ou menos prolongado, ao novo aquário, estando sujeitos durante este período a um estresse adaptativo, que os predispõem a contrair doenças. 
A manutenção consiste na retirada da sujeira que você acumulou no seu aquário no decorrer da semana ao alimentar seus peixes, e deverá ser feita uma vez por semana (todas as semanas e pelo resto de sua vida ou enquanto você insistir em ter peixes!). O pessoal costuma chamar esse procedimento de TPA (Troca Parcial de Água), mas a coisa é um pouquinho mais complexa como podemos verificar logo aqui embaixo! 

Antes de qualquer coisa, desligue todo o equipamento elétrico que esteja em contato com a água... afinal de contas: água e eletricidade não combinam, não é mesmo? É uma providência simples, mas importante, visto que um bom número de aquários já foi danificado por aquecedores (inadvertidamente esquecidos ligados) que ficaram fora da água durante os procedimentos de troca de água. Retire a tampa ou luminária (caso esta atrapalhe o livre acesso ao interior do aquário)

Iniciaremos pela limpeza dos vidros. Isso é necessário porque com o passar dos dias, essas paredes vão sendo recobertas por uma capa, composta principalmente, de zoogléia (mucilagem bacteriana) e algas, que acabam por prejudicar a transparência do vidro e, portanto, a visibilidade do ambiente aquático. Com o auxílio de um limpador apropriado, faremos a limpeza dos vidros, devagar e com cuidado para não assustarmos os peixes nem fazermos a água transbordar. Pode ser necessário baixar um pouquinho o nível de água para facilitar essa operação. Cuidado com as partículas de substrato (areia ou pedacinhos de cascalho) que podem ficar aderidas ao limpador e riscar os vidros!  Terminada essa limpeza, aguardaremos alguns minutos (uns 10 a 15), para que a sujeira assente no fundo do aquário. Enquanto esperamos, será conveniente tornar a ligar o equipamento do aquário. Pronto a sujeira já sedimentou (acumulou no fundo), novamente desligaremos o equipamento elétrico e, agora sim, procederemos à limpeza do cascalho e a troca de água.

Para tal, vamos nos utilizar de um sifão (dispositivo composto por uma mangueira dotada de um bocal plástico, encontrado na maioria das boas lojas de aquários) e faremos uma aspiração da maior quantidade possível de dejetos, que estiverem retidos entre os grãos do cascalho, aproveitando para trocar aproximadamente 30% da água do aquário nesta ocasião. Lembre-se que a maior parte daquilo que acumula no fundo do aquário é constituído por fezes de peixes. Essa operação de aspiração da sujeira mediante a ação do sifão é denominada: SIFONAGEM.

A sifonagem deverá ser efetuada, de modo a controlar a saída da água, permitindo a retirada do máximo de sujeira, e o mínimo de água. O melhor método consiste em pressionar verticalmente o bocal do sifão, enterrando-o no cascalho até percebermos que o bocal encostou no vidro do fundo do aquário, dai afastamos o bocal uns milímetros do vidro para permitir a passagem da água e da sujeira e, a seguir, controlar a saída da água, tampando e destampando, alternadamente, a ponta de saída da mangueira com o auxílio do dedo polegar. 

A sujeira irá saindo aos poucos (aos soquinhos), de maneira controlada, de modo a economizar água. O substrato (cascalho ou areia) também será aspirado, porém não chegará nem à metade do comprimento do bocal, visto que estaremos controlando a passagem da água com o polegar. Se o substrato for de granulometria média, o efeito geral lembrará muito as pipocas saltando no mostruário de um carrinho de pipocas, com as partículas de cascalho subindo e descendo no interior do bocal do sifão. Quando começar a sair água limpa, feche a saída da mangueira (com o dedo polegar) e mude a posição do bocal do sifão, enterrando-o nas proximidades do local já limpo, repetindo o procedimento descrito acima. Lembre-se a idéia é tirar a sujeira acumulada e não apenas a água, e que devemos respeitar o limite de um terço do volume do aquário. Isso porque os peixes não suportam mudanças muito drásticas nas condições da água, correto?

Caso já tenha gasto os 30% da água e não tenha sido possível limpar todo o fundo do aquário, não tem problema, complete o volume do aquário com água nova condicionada (com a mesma temperatura, mesmo valor de pH e sem cloro) e dê um tempo (um ou dois dias de descanso), efetuando novamente a operação a partir do ponto em que havia parado anteriormente.

Se o aquário for velho e repleto de esterco acumulado, vá repetindo o procedimento descrito (sempre com uma pausa de um ou dois dias entre uma sifonagem e a seguinte) até que o cascalho fique suficientemente limpo e a partir dai adote o regime de uma sifonagem por semana. Nossa meta será manter um baixo índice de sujeira, controlando, desta maneira, as bactérias prejudiciais e evitando o entupimento da cama de cascalho. Não é necessário desmontar a decoração para fazer a sifonagem, basta sifonar a superfície livre do cascalho. Somente mexa na decoração caso esta esteja muito suja e coberta de algas e isso, por acaso, o incomode e, neste caso sim, limpe o cascalho do local onde o objeto estava antes de recolocá-lo.

Efetuada a sifonagem, limpe o filtro e lave os elementos filtrantes (sempre em água retirada do aquário. NUNCA em água de torneira) substituindo os elementos que se encontrem em mau estado ou estejam esgotados (carvão ativado, removedor de amônia, resinas adsorventes, etc.). Nunca troque o elemento de filtragem biológica (cerâmica, Siporax™, Bio-balls, esponja, etc.) todo de uma vez, sob pena de perder a capacidade de depuração biológica, mas mantenha-o limpo, lavando em água retirada do próprio aquário para não prejudicar as bactérias úteis. Aproveite e faça a poda das plantas que porventura tenham crescido demasiadamente.

Importante: - Qualquer peixe ou planta que eventualmente venham a morrer deverão ser imediatamente retirados. Afinal não queremos sobrecarregar desnecessariamente nosso filtro, certo? Não permita que os outros peixes comam o companheiro morto, pois, muitas doenças se propagam desta forma. 
‍A água de reposição também será tirada da torneira, mas deverá ser condicionada antes do uso. Ou seja, a água que está saindo do aquário, apesar de suja, está quentinha, possui um determinado valor de pH e, em alguns casos, contém certa quantidade de sal dissolvido (caso dos aquários marinhos, aquários de água salobra ou você tenha colocado sal por que ouviu dizer que era bom – nem sempre é!). Então, a água nova que será usada para completar o nível do aquário deverá ter o mesmo valor de pH, a mesma temperatura e, se for o caso, a mesma quantidade de sal (salinidade ou densidade). Assim evitamos os principais problemas relacionados às trocas de água. 
Agora, só ser feliz e aproveitar o aqua! Não se esqueça da manutenção para que a qualidade de vida dos seus peixes sejam sempre a melhor possível!!

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