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5 de agosto de 2016

História do Aquarismo

 Tudo começou há 4.000 anos ... 

Eram os faraós aquaristas? Disso não temos certeza. Mas podemos afirmar que entre pirâmides, sarcófagos e múmias, que hoje fazem a delícia dos arqueólogos, há indícios de que os egípcios tenham sido os primeiros humanos a ter essa idéia simples e genial: colocar peixes em grandes tanques de vidro. Estudiosos da astronomia e da matemática, decerto descobriram no aquarismo uma possibilidade relaxar a mente para melhor se concentrarem em prever a época das inundações do Nilo, fazer projetos de pirâmides e outros assuntos mais práticos. Por isso mesmo, criar peixes ficou, para eles, apenas para o nível de ornamentação ou, quem sabe, na área da gastronomia. Afinal, um tanque cheio de peixes não deixa de ser um estoque de alimento! 

Era uma vez, na Grécia 

Um filósofo, de nome Aristóteles, que se interessava por uma variedade enorme de assuntos. Escreveu sobre lógica, metafísica, retórica, política e ciências naturais. Passou anos e anos de sua vida estudando a estrutura, os hábitos e o crescimento de diversos animais. É claro que os peixes que, naquela época, circulavam pelo Egeu não poderiam escapar à sua observação. Ele descreveu nada menos que 115 espécies diferentes! Grande pensador, iniciava assim uma nova ciência, a ictiologia, palavra grega que significa estudo dos peixes. 



Estórias de Marco Polo 

O famoso viajante Italiano conta, nos relatos de suas viagens pelo Oriente, no século XIII, que os Chineses tinham o hábito de criar lindos peixes em tanques de vidro. Curiosos e possuidores de verdadeiro espírito científico, foram eles que, bem depois de Aristóteles, continuaram a estudar os peixes conseguindo realizar os primeiros cruzamentos seletivos, entre 970 e 1278. O que demonstra que o conceito de aquarismo, na China antiga, época da dinastia Sung, já era bem mais próximo do que temos hoje. Foi lá que se desenvolveu a criação do peixe dourado , ainda sem as enormes nadadeiras que hoje o caracterizam. Tudo isso Marco Polo escreveu em seu livro, para surpresa do mundo Ocidental. O que ele não ficou sabendo é que o Carassius auratus teria seu processo de seleção aperfeiçoado, mais tarde, pelos Japoneses que levaram a fama, popularizando-o como peixe-japonês. 

"CHU SHA YU P'U" 

Você não vai precisar aprender chinês, mas, como bom aquarista, é importante saber que essas quatro palavrinhas são o título responsável por um grande avanço na aquariofilia. Tradução: "Livro dos peixes vermelhos", escrito pelo chinês CHANG CHI' EN-TÊ. Essa foi a primeira obra publicada sobre técnicas de criação de peixes ornamentais. Reafirmando o espírito científico já demonstrado por seus antepassados, esse pesquisador quis compartilhar com o mundo suas descobertas. 

O que é taxonomia? 

É a ciência das leis de classificação científica. O que isso tem a ver com o peixe? Bem a taxomania ou sistemática, criada pelo naturalista sueco Linneu, permitiu que os peixes fossem classificados por gênero e espécie, facilitando seu estudo. O uso do latim nas classificações científicas visa a universalidade do nome. Em qualquer canto do mundo, independente da língua falada, você pode saber, por exemplo, que o substantivo genérico identifica o gênero, o adjetivo se refere à espécie e que o nome entre parênteses é o do classificador. Assim Hyphessobrycon rosaceus (Durbin) poderá ser compreendido, com a mesma facilidade, no Brasil ou na Alemanha. Graças à taxonomia, e a Linneu. 

Foi o constante vai e vem dos portugueses, na época das grandes Navegações, que acabou difundindo na Europa Ocidental, por volta do século XVI, o hábito de criar peixes ornamentais em globos de vidro. O aquarismo continuou se aperfeiçoando mas contava ainda com técnicas rudimentares. Lamparinas de querosene ou bicos de gás eram colocados sob os aquários, numa tentativa de aquecer os pobres peixinhos, na maioria acostumados a águas tropicais. Só no século XX, com a energia elétrica é que os aquários começaram a dar aos peixes todo o conforto que eles merecem. E aos aquaristas, a possibilidade de incrementar suas atividades. 

O aquarismo moderno 

Os norte-americanos colaboraram bastante, e ainda o fazem, no desenvolvimento desse hobby singular. William Thrton Innes é um nome que você não pode deixar de conhecer. Autor do Ëxotic Aquarium Fishes", um estudo da aquariologia relacionada a outras ciências, fundamental e interessantíssimo. E não foi só na área de publicações que os EUA contribuíram. Foi lá que apareceu a primeira Sociedade de Aquariofilia de Peixes tropicais, com o intuito de divulgar novas técnicas e pesquisas. "Know-how" americano à disposição dos interessados. Enquanto nos EUA as pesquisas avançam, na Europa surgiam os primeiros aquários públicos e as primeiras exposições de peixes, no Brasil essa atividade ainda era inédita. Só em 1922, na Exposição da Independência tivemos uma chance. Os japoneses exibiram seus belíssimos aquários, lembrando seus jardins típicos, com raros exemplares. Causaram impacto, despertando o interesse de muita gente. Começaram as primeiras criações particulares, ainda sem nenhum apoio. Só em 1934 um alemão radicado no Brasil fundou a primeira loja especializada em peixes ornamentais. Finalmente os brasileiros contaram com apoio para transformar o aquarismo em algo mais sólido. Desde então, o gosto pelos peixes tem se expandido de maneira espantosa e as possibilidades de criá-los também. Além dos pequenos exemplares de água doce você pode aventurar-se na criação de peixes maiores, inclusive de água salgada. Hoje, a infra-estrutura de apoio à atividade é enorme, as possibilidades infinitas. A região amazônica oferece exemplares únicos, de extraordinária beleza. Impossível de vê-los e não se apaixonar. Se tudo começou no Egito, há 4.000 anos, talvez para você o começo seja a irresistível poesia de um peixinho-japonês comprado na feira... 

Editora Três 
Vida no Aquário - Editora Três

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